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Cientistas estudam micróbio descoberto em Portugal

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Varicela

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26102009

Cientistas estudam micróbio descoberto em Portugal

Mensagem por Varicela

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1401777

Coimbra
Cientistas estudam micróbio descoberto em Portugal

Cientistas de Coimbra e do Instituto Pasteur estão a estudar um micróbio encontrado em Portugal que se revelou um dos mais resistentes do mundo às radiações, procurando descobrir as substâncias responsáveis por essa protecção.

O Rubrobacter radiotolerans - RSPS4 foi descoberto nas Termas de S. Pedro do Sul e o seu genoma sequenciado em 2007, segundo uma nota hoje divulgada pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC).

Desde há um ano que os investigadores procuram descobrir qual a substância que a bactéria acumula que lhe permite resistir a elevados níveis de radiações e desidratação prolongada.

Exposta, de forma continuada, a "brutais doses de radiações", a bactéria revelou uma capacidade de resistência "milhares de vezes superior à de um humano", refere o coordenador do estudo e do Laboratório de Microbiologia da FCTUC, Milton Costa.

"Enquanto os humanos expostos a 500 Rads 'corpo inteiro' (doses de radiações absorvidas) não sobrevivem, a 80.000 Rads todas as células deste micróbio continuam vivas", explicou.

Os cientistas sabem que o micróbio possui "moléculas antioxidantes poderosas, capazes de neutralizar os efeitos quer da radiação quer da desidratação, mas desconhecem quais são e de que forma a bactéria lida com os radicais livres originados pela radiação, disse à Lusa Nuno Empadinhas, do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra, que participa na investigação.

Ao contrário do que os cientistas esperavam, a bactéria "não possui um ou dois genes já relacionados com a resistência à radiação".

"Ficámos mais intrigados ainda, sobre o porquê desta resistência fantástica se há enzimas nas células especificamente indicadas na neutralização de certos radicais livres que não estão presentes nesta bactéria", afirmou.

Esta "extraordinária tolerância" à radiação e desidratação pode, na opinião dos cientistas, ser "determinante para o desenvolvimento de novas abordagens para o tratamento de várias doenças, como o cancro, e na prevenção do envelhecimento".

"Se o estudo confirmar que os sistemas antioxidantes e anti-radiações encontrados neste micróbio são responsáveis pela protecção das proteínas e ADN da bactéria, poderemos pensar no desenvolvimento de novas moléculas para serem co-administradas no tratamento de diversas doenças, nomeadamente do foro oncológico", sustentam os cientistas.

Foi precisamente o elevado potencial para a biomedicina que levou o Instituto Pasteur a associar-se à investigação.

Os estudos que conduziram à descoberta desta bactéria em Portugal começaram em 1996, quando um cientista inglês solicitou ao Laboratório de Microbiologia da FCTUC que identificasse um estranho micróbio encontrado num riacho poluído de Inglaterra.
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