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Bactérias que despoluem terrenos contaminados

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Varicela

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07122009

Bactérias que despoluem terrenos contaminados

Mensagem por Varicela

http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1439739&seccao=Biosfera

Poluição
Bactérias que despoluem terrenos contaminados
por HELDER ROBALO05 Dezembro 2009

A descontaminação de solos tem sido um dos desafios da ciência, sobretudo quando estes estão poluídos com metais pesados. O que torna ainda mais difícil a sua reutilização para outros fins. Uma equipa de investigadores portuguesa identificou várias espécies de bactérias mais resistentes a estes metais, que, por isso, são mais eficazes na a despoluir terrenos

O tratamento de terrenos contaminados com compostos orgânicos e metais pesados - como antigas bombas de gasolina - pode tornar--se mais fácil e económico graças aos resultados obtidos por um grupo de investigadores do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP), num projecto envolvendo bactérias. O trabalho ainda se encontra numa fase laboratorial, mas os resultados "são bastante promissores", dizem os os responsáveis da equipa. De tal forma que até já há quem queria testar o projecto no terreno, garantem, sem adiantar pormenores.

Cristina Delerue-Matos, responsável do Grupo de Reacção e Análises Químicas (GRAQ) do ISEP, explica que "o projecto começou com uma investigação do professor Paolo De Marco, que já estava a estudar o trabalho das bactérias na limpeza de solos contaminados". "No decurso da experiência isolou algumas bactérias que tinham demonstrado maior resistência à presença de metais pesados", explica esta investigadora.

É que um dos principais obstáculos na remediação de solos contaminados com o recurso a bactérias é precisamente a sua grande sensibilidade à presença de metais pesados, mais tóxicos para elas, e que acabam por reduzir significativamente a sua actividade.

Embora, normalmente, em ambiente de laboratório, as bactérias apresentem bons resultados ao nível da recuperação dos solos, já no terreno surgem por vezes resultados não tão positivos. Isto apesar de a nível mundial já ser frequente o recurso à remediação de solos através de processos biológicos, até pelo facto de estes envolverem baixos custos.

No trabalho levado a cabo pelos investigadores do GRAQ, e que foi realizado em parceria como o Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), procurou-se perceber "até que ponto era possível degradar compostos orgânicos dos solos na presença de metais pesados", explica Cristina Delerue-Matos.

Para isso foram usadas bactérias dos conjuntos Methylobacterium (estirpes PM1, Mi1 e F5.4) e Methylophilus (estirpe Ehg7), que, no trabalho de Paolo De Marco, se mostraram mais resistentes aos metais pesados (ver texto ao lado).

Além disso, na investigação, foram igualmente usados dois compostos orgânicos que, habitualmente, aparecem mais em solos contaminados com gasolinas ou solventes de metais: o tricloroetileno (TCE) e o éter terc-butil metílico (MTBE).

De acordo com os investigadores, os resultados alcançados são promissores, uma vez que, nos solos contaminados, as bactérias mantiveram a sua capacidade de degradação desses compostos orgânicos.

Cristina Delerue-Matos refere ainda que esta técnica de biorremediação dos solos, "além de ser mais eficiente e económica", poderá degradar eficazmente o poluente e, deste modo, tornar o terreno, após tratamento, reutilizável para diversos fins e com custos mais reduzidos quando comparados com tecnologias alternativas.

Por norma, explica, "em solos contaminados com gasolina é usual utilizar a técnica de extracção de vapor, que cria correntes de ar nos solos e que, deste modo, permite a remoção dos vapores tóxicos do solo". Uma técnica que, naturalmente, implica um esforço financeiro muito menor.
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